A ideia de criação do Instituto Osmar Rodrigues Cruz sempre esteve presente em minha vida. Aborrecia meu pai com a insistência da necessidade de fazer alguma coisa com os milhares de livros e revistas de sua biblioteca. Ele relutava, achava, com toda razão, que ninguém dá valor para uma biblioteca acumulada com sacrifico durante toda uma vida. Com o crescimento da tecnologia de informática surgiu-me a ideia de uma Biblioteca Virtual, assunto ainda novo há quinze anos. Insisti com isso, porque o acervo estaria a salvo e preservado para as gerações futuras. Ele se rendeu à ideia e passou a responsabilidade da biblioteca para mim. Os planos foram tomando corpo e nada me afastava da vontade de torná-los realidade. Iniciei cuidando dos livros e percebi quanto de vida havia neles. Meu pai faleceu sem ter tido o prazer de conhecer as pessoas que acreditaram na ideia, que conheceram o acervo, dando-lhe a importância que sempre mereceu. Hoje, mais do que qualquer coisa, a vida destes livros reflete a vida de meu pai, aquele que me ensinou tudo, principalmente o amor à pesquisa e ao teatro. Além de haver criado uma companhia de teatro popular singular em nosso país, deixou neste acervo a transcendência de sua própria obra – a socialização do saber e da pesquisa.
Sem o interesse de dois veterinários nada poderia se iniciar. Sim, foi por intermédio da Dra. Maria do Carmo Arenales, grande homeopata e professora sensível à ideia, que tudo começou ao indicar-me um biblioteconomista que “vestiu a camisa” se apaixonando pelos livros. Porém, sem o apoio de meus primos Luiz Roberto (veterinário!) e Ana Paula, filhos do irmão mais novo de meu pai, também falecido, nada poderia tomar força. Numa corrente digna dos destinos traçados, José Orlando - meu mestre e pai espiritual, mais uma vez me ajudou e orientou o que para ele era uma “loucura” e deu seu aval, com a ajuda dos orixás. E aí, me apresentaram Dante Lui Jr. da CRESCER e Eduardo Voigt da PRIMA, que ao conhecerem a biblioteca, deram o primeiro passo à realidade doando o sistema de indexação para que tudo possa acontecer. Não havia mais volta, a minha ideia-projeto-sonho estava se concretizando. Chegou a Renata, a mãe deste site, também da Crescer, habilidosa, talentosa que já abraçou os livros!
Para a constituição do Instituto surge o meu pai acadêmico Clovis Garcia dando suas coordenadas para Dra. Daniella Löw, que também transforma sonhos em realidade. Falar do Conselho é uma longa história, pois cada um representa um momento que num encadeamento harmonioso torna este Instituto mais rico. Gleide Cruz representa os filhos que estão na Europa e traz seu equilíbrio e sabedoria. Clovis, sempre presente nas entidades fundadas por ele e meu pai, dá-me a honra de pertencer ao nosso grupo. Valdemir, o grande Vadinho, vem representando a classe artística, como sonoplasta atuante e criador do projeto físico da biblioteca. Raimundo, poeta, ator e professor representa a Universidade Federal da Bahia. Assim como, Antonio que da Universidade Federal de Alagoas, trás a dança e sua pesquisa para nossa São Paulo.
O elenco está pronto, todos aos seus postos, as cortinas já se abriram e o espetáculo está apenas começando. Obrigada a todos que acreditaram que o sonho era possível, foram 99,9%!
Agora é com o público........
Prof.a Dra Maria Eugenia Araújo Rodrigues Cruz
Bacharel em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo,
Mestre em Artes (Artes Cênicas) - Escola de Comunicações e Artes – USP
e Doutora em Artes ECA/USP